quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
É fácil trocar palavras
É fácil trocar as palavras
Dificil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.”
Fernando Pessoa
Tempo que foge! (O valioso tempo dos maduros)
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.
Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: – Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.
Soli Deo Gloria.
De Ricardo Gondim
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
Sila, A prisioneira do Amor
Sila, a série é sem dúvida uma superprodução onde enredo, trilha sonora, elenco, fotografia aliados à energia fluídica transcendental emanada subliminarmente pela interação Boran/Sila oportunamente transformaram , para alguns, a percepção de realidade/vida/experiência fundamentada no amor puro e incondicional. Creio na sincronicidade e se foi-nos permitido o acesso à Série, ainda que após 10 anos, algum propósito há. Eu entendo que no meu caso, eu necessitava experienciar nesse espaço tempo e no físico, cada uma das emoções favoráveis em proporções de tempo e intensidade mais elevadas que anteriormente e propiciadas com as interações que mantive com o advento Sila. E posso hoje dizer, não porque li ou ouvi, mas porque senti e sinto, que as emoções favoráveis elevam a minha frequência e que eu atraio para minha experiência aquilo que penso e sinto.
sexta-feira, 17 de junho de 2016
O Amor
"Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim.
Pois da mesma forma que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica. E da mesma forma que contribui para vosso crescimento, trabalha para vossa poda"
E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes e as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha parra expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós, para que conheçais os segredos de vossos corações e, com esse conhecimento, vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor, procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez e abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações, onde rireis, mas não todos os vossos risos, e chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Pois o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga: "Deus está no meu coração", mas que diga antes: "Eu estou no coração de Deus.
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor, pois o amor, se vos achar dignos, determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos, sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho que canta sua melodia para a noite.
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado, e nos lábios uma canção de bem aventurança."
Do livro O Profeta de Khalil Gibran
Fanatismo - Florbela Espanca
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”
de Florbela Espanca
domingo, 5 de junho de 2016
O tempo que cura tudo faz você sangrar
"...as suas experiências ganham lugar no tempo, as coisas que você viveu e não entendeu, elas ganham valor com o tempo. Uma ausência constante torna-se uma dor enorme e muito difícil de suportar.Mas não haverá nada a ser feito. A felicidade passou por você. O tempo que tudo cura, só fará... Sangrar sua alma. Compare morrer feliz com viver triste. Escolha os dias. Porque, bem lá no fundo, a grande questão é essa, quem além de nós saberá o que perdemos..."
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Deus não é um sonho distante
... Aprendi que Deus não é um sonho distante, mas uma realidade bastante presente, porque aprendi a buscar Deus dentro de mim. Foi muito bom me reconciliar com ELe...via na figura de Deus a imagem do Pai inacessível, que ampara seus filhos de longe, por detrás dos bastidores, sem se deixar ver ou tocar. Mas depois que conheci os benefícios da prece, puder ter a certeza de que Deus estava sempre presente...
Do Livro: Desejo, até onde ele pode te levar?
quarta-feira, 30 de março de 2016
Ouvir Estrelas
Ouvir Estrelas
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
Olavo Bilac
quarta-feira, 23 de março de 2016
Minha Marcha Nupcial
AMEM (tradução)
Ontem à noite eu tive um sonho
O sonho que eu tive foi real
Eu caí por dentre as estrelas
Fui andando pela lua
Ardendo como mil velas em seus braços
Sua pele em meus dedos
A madressilva (néctar) dos seus lábios
Mais doce do que um homem merece provar
Misericórdia, misericórdia
O que mais posso dizer?
A não ser amém
Amém
Amém
Na noite passada nascemos juntos
Era como se sempre tivesse sido assim
Eu ficarei com ela pra sempre
Se eu não a vir novamente
Colocaremos o vinho em nossas taças até que transborde
Desenrolando como um mistério
Dentro dela como uma poesia
Mil cavalos correndo em minhas veias
Misericórdia, misericórdia
O que mais posso dizer?
A não ser amém
Amém
Amém
Eu deitei em seu jardim,
nú no chão
Janelas abertas, cortinas balançando ao vento
Ela não trancou a porta
Amém
Amém
Na mesa de banquete
Um mendigo na festa
Eu senti a língua dela entre os meus lábios
E esqueci de respirar
Nós ficamos lá até as velas queimarem o tapete
Ontem à noite eu tive um sonho
O sonho que eu tive foi real
Misericórdia, misericórdia
O que mais posso dizer?
Misericórdia, misericórdia
Eu vou ajoelhar e rezar
Amém
Amém
Amém
Bon Jovi
https://www.youtube.com/watch?v=FpC_blVAxQc&list=RDFpC_blVAxQc
quarta-feira, 9 de março de 2016
Pensamento
...absolutamente tudo o que for verdadeiro, tudo o que for honesto, tudo o que for justo, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, nisso pensai.
quarta-feira, 2 de março de 2016
Uns têm graça, outros têm só graça, outros ainda não existem.
...Uns têm graça, outros têm só graça, outros ainda não existem. A graça dos cafés divide-se em ditos de espírito sobre os ausentes e ditos de insolência aos presentes. A este gênero de espírito chama-se ordinariamente apenas grosseria. Nada há mais indicador da pobreza da mente do que não saber fazer espírito senão com pessoas. Passei, vi, e, ao contrário deles, venci. Porque a minha vitória consistiu em ver. Reconheci a identidade de todos os aglomerados inferiores: vim encontrar aqui, na casa onde tenho um quarto, a mesma alma sórdida que os cafés me revelaram, salvo, graças aos deuses todos, a noção de vencer em Paris. A dona desta casa ousa Avenidas Novas em alguns dos seus momentos de ilusão, mas do estrangeiro está salva, e o meu coração enternece-se. Conservo dessa passagem pelo túmulo da vontade a memória de um tédio nauseado e de algumas anedotas com espírito.
Vão a enterrar, e parece que já no caminho do cemitério se esqueceu no café o passado, pois vai calado agora.
... e a posteridade nunca saberá deles, escondidos dela para sempre sob a mole negra dos pendões ganhados nas suas vitórias de dizer.
Tudo ali é quebrado, anônimo e impertencente. Vi ali grandes movimentos de ternura, que me pareceram revelar o fundo de pobres almas tristes; descobri que esses movimentos
não duravam mais que a hora em que eram palavras, e que tinham raiz — quantas vezes o notei com a sagacidade dos silenciosos — na analogia de qualquer coisa com o piedoso,
perdida com a rapidez da novidade da notação, e, outras vezes, no vinho do jantar do enternecido. Havia sempre uma relação sistematizada entre o humanitarismo e a aguardente
de bagaço, e foram muitos os grandes gestos que sofreram do copo supérfluo ou do pleonasmo da sede.
FERNANDO PESSOA
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa
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